Stablecoins: o que são e como funcionam nos pagamentos internacionais?

Imagem de um empresário olhando para um monitor que mostra dados do mercado financeiro. A imagem ilustra um artigo da B2Gether sobre o que são as stablecoins e como elas funcionam nos pagamentos internacionais.

Criadas para reduzir a volatilidade típica das criptomoedas tradicionais, as stablecoins são moedas digitais que mantêm seu valor atrelado a ativos mais estáveis, como as moedas fiduciárias (dólar e euro, por exemplo). Esse modelo financeiro tem despertado o interesse não apenas de investidores, mas também de empresas que precisam fazer transferências internacionais com mais economia e velocidade. Saiba tudo sobre as stablecoins neste artigo!

O Brasil já é um dos cinco países que mais utilizam stablecoins no mundo. É o que mostra um estudo publicado pela TRM Labs, reforçando um cenário que tem ganhado destaque nos últimos anos.

Confesso que me surpreendi quando vi essa informação. Mas ao mesmo tempo fiquei bastante contente, pois ela revela que o nosso país está aberto às evoluções digitais do mercado financeiro global, impulsionadas pela tecnologia blockchain.

As stablecoins, aliás, estão no centro desses avanços e representam uma classe de ativos digitais que busca unir a inovação das criptomoedas com a previsibilidade das moedas fiduciárias tradicionais, como é o caso do dólar e do euro, por exemplo.

E é claro: para empresas brasileiras com atuação global, que necessitam fazer pagamentos no exterior, entender esse sistema e utilizar uma stablecoin como canal de liquidação internacional pode ser um passo estratégico para reduzir custos operacionais e melhorar o caixa.  

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Sumário

O que são stablecoins?

As stablecoins são criptoativos emitidos em redes de blockchain e atrelados a moedas fiduciárias de referência, como o dólar americano, cujo valor é pareado e se mantém estável.

Diferentemente das cripto tradicionais, como Bitcoin ou Ethereum, que apresentam alta volatilidade em curtos períodos, a proposta de uma stablecoin é manter a paridade de um para um com uma moeda soberana.

Ou seja, se uma stablecoin é lastreada em dólar americano, o objetivo do emissor é garantir que cada unidade do token tenha sempre o valor de um dólar. Essa estabilidade é o que permite que elas sejam utilizadas como meio de pagamento internacional dentro do ecossistema cripto, funcionando como uma ponte entre o sistema financeiro tradicional e a economia digital.

Ah, e vale aqui destacar que, embora eu tenha citado apenas o dólar americano, existem também stablecoins vinculadas a outros ativos, como o euro e o ouro, por exemplo.

Como funciona uma stablecoin?

O funcionamento de uma stablecoin depende do seu mecanismo de estabilização, que garante que o preço do criptoativo não desvie da moeda de referência. Essa paridade ocorre por meio de reservas de garantia. Isto é, quando uma moeda estável é colocada no mercado, a empresa emissora deve manter um valor equivalente em dinheiro vivo ou títulos de alta liquidez em uma conta bancária auditada.

Na prática, as stablecoins seguem o mesmo raciocínio do padrão-ouro, um sistema monetário que funcionou até meados de 1971. Naquela época, a emissão de dinheiro em papel-moeda era vinculada ao total de metal que um país tinha no tesouro.

Voltando para o universo das criptomoedas, é importante ressaltar que esse modelo de reserva das stablecoins não ocorre com ativos como o Bitcoin, Ethereum e outros que não têm lastro e que, por isso, apresentam alto nível de volatilidade.

Quais são os tipos de stablecoins?

Existem no mercado pelo menos quatro categorias principais de stablecoins, que se diferenciam pelo tipo de lastro ou pelo algoritmo usado para manter o preço estável. São elas:

1 – Stablecoins lastreadas em moedas fiduciárias

Essas são as stablecoins mais comuns e utilizadas no mercado global. O lastro é composto por moedas como dólar, euro ou até mesmo o real, mantidas em reservas bancárias.

2 – Stablecoins lastreadas em commodities

Já nessa categoria, o valor das stablecoins é vinculado a ativos físicos, como gramas de ouro, barris de petróleo ou até mesmo imóveis. O PAX Gold (PAXG), por exemplo, é atrelado ao preço do ouro físico.

3 – Stablecoins lastreadas em criptoativos

Nessa categoria, as stablecoins utilizam outras criptomoedas como ativos de referência. Para compensar a volatilidade do lastro, normalmente é necessário manter uma garantia superior ao valor emitido.

4 – Stablecoins algorítmicas

As stablecoins algorítmicas, por sua vez, não têm um lastro físico direto. Elas utilizam algoritmos e incentivos de mercado para controlar a oferta em circulação. Quando o preço sobe ou cai, o sistema ajusta automaticamente a emissão ou a retirada de unidades em circulação para tentar manter a estabilidade.

Quais são as principais stablecoins do mercado?

Atualmente, o mercado global é liderado por algumas empresas que conquistaram a confiança dos investidores e das instituições financeiras, seja devido ao volume de liquidez, seja pelo histórico de operações. Posso citar aqui algumas das principais stablecoins da atualidade, como a Tether (USDT) e a USD Coin (USDC), que são as mais conhecidas e que concentram grande parte do volume transacionado em cripto.

Tether (USDT)

A Tether (USDT) foi a primeira stablecoin lançada no mercado. Criada em 2014 e emitida pela Tether Limited, ela mantém sua cotação vinculada ao dólar americano (paridade de 1:1), tem o maior volume de negociação do mundo e é amplamente utilizada em corretoras de criptomoedas e transferências digitais.

USD Coin (USDC)

A USD Coin (USDC) é uma stablecoin lançada em 2018 pelo consórcio liderado pela empresa Circle. Seu valor também está atrelado ao dólar americano, na proporção de 1:1. Essa criptomoeda estável ficou conhecida por focar em processos de conformidade regulatória, auditoria e transparência.

Quais são os benefícios das stablecoins?

A utilização das stablecoins como meio de pagamento em operações financeiras internacionais pode proporcionar algumas vantagens competitivas para empresas brasileiras com negócios no exterior, como a velocidade na liquidação (que é feita em minutos), a redução de custos (com a ausência de taxas bancárias invisíveis e spreads abusivos) e uma menor incidência de tributos como o IOF câmbio nas movimentações cross-border (transfronteiriças).

A seguir, detalho um pouco mais sobre essas vantagens.

Velocidade das transações

A velocidade das movimentações financeiras é uma das principais vantagens das stablecoins. Enquanto uma transferência internacional pode levar de 2 a 5 dias úteis para ser compensada por meio dos canais tradicionais, uma transação com stablecoin é liquidada em fração de minutos, funcionando 24 horas por dia e sete dias por semana.

Redução de custos

A redução de custos é outro benefício que tem atraído muitos empresários brasileiros (eu sou um deles, inclusive). Isso porque, com as stablecoins, as empresas conseguem recolher menos tributos e reduzir despesas operacionais vinculadas a tarifas bancárias, spreads cambiais muitas vezes abusivos e outras taxas adicionais.

Se a gente colocar na ponta do lápis o volume de dinheiro que uma empresa pode economizar apenas reduzindo o percentual de taxa bancária cobrada em uma operação internacional, garanto que você, CEO, diretor financeiro ou empresário, vai se espantar.

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Redução da volatilidade

A redução de volatilidade é mais um benefício importante das stablecoins. Em comparação com os demais criptoativos, por exemplo, não tem nem comparação. Elas são muito mais estáveis. Ao manter paridade com moedas seguras, as stablecoins reduzem de forma significativa as oscilações típicas das criptomoedas tradicionais.

Liquidação global

Como operam em redes digitais descentralizadas, as stablecoins podem ser transferidas entre usuários em diferentes países sem depender de múltiplos intermediários.

Quais são os riscos de operar com uma stablecoin?

Mas como tudo na vida tem dois lados, é importante apresentar aqui para você também alguns riscos das stablecoins em geral, cujos principais são o de liquidez, o regulatório, o tecnológico e o de perda de paridade.

Risco de liquidez

Em alguns casos, pode haver dúvidas sobre a qualidade ou a disponibilidade das reservas que sustentam determinada stablecoin. Por isso, é sempre importante pesquisar bastante sobre as empresas emissoras e, se possível, consultar um especialista para auxiliar você.

Risco regulatório

A regulação de ativos digitais ainda está em evolução em muitos países, o que pode afetar o funcionamento de determinados projetos. No Brasil, até outro dia esse mercado ainda não era regulamentado, para você ter uma ideia. Quando falamos sobre pagamentos internacionais, é fundamental entender se esse modelo é aplicável ou não.

Risco tecnológico

Como operam em redes blockchain, as stablecoins dependem da segurança de contratos inteligentes e da infraestrutura tecnológica utilizada. Quando falamos em tecnologia, sabemos que estamos sujeitos a possíveis instabilidades. É um risco inerente a esse modelo.

Risco de perda de paridade

Alguns projetos podem enfrentar dificuldades para manter a estabilidade de preço, especialmente em momentos de estresse no mercado e em crises de larga escala. Outro motivo para você pesquisar bem e escolher uma stablecoin segura, estável e com lastro validado no mercado.

Qual é a diferença entre criptomoeda e stablecoin, afinal?

A principal diferença entre criptomoeda e stablecoin está no objetivo e no comportamento do preço de cada ativo. Embora as stablecoins sejam tecnicamente criptomoedas, pois utilizam a tecnologia blockchain e criptografia, elas são projetadas para manter um valor estável atrelado a um ativo seguro. Já as criptomoedas tradicionais, como o Bitcoin, possuem uma oferta limitada e um valor determinado exclusivamente pela demanda de mercado, o que pode torná-las altamente voláteis.

Outra diferenciação relevante entre elas está na finalidade. As criptomoedas são normalmente vistas e utilizadas como ativos de investimento, enquanto que as stablecoins são usadas como uma infraestrutura de pagamentos.

Como está a regularização das stablecoins no Brasil?

O Brasil já regulamentou os ativos virtuais por meio da Lei 14.478/2022, conhecida como o Marco Legal dos Criptoativos, e das Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central (BC), publicadas em novembro de 2025.

A lei trouxe diretrizes gerais para a operação de prestadoras de serviços de ativos virtuais no país e o BC foi designado como o principal regulador do setor.

Nas resoluções que citei acima, o Banco Central do Brasil estabelece regras para a autorização e a prestação de serviços de ativos virtuais, criando também as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSVAs).

Além disso, o BC regulamenta quais atividades ou operações com ativos virtuais se enquadram no mercado de câmbio e quais casos estão sujeitos à regulamentação de capitais internacionais.

O detalhamento dessas resoluções pode ser assunto para um outro artigo, mas em geral, no que se refere aos pagamentos internacionais com stablecoins, posso resumir para você que agora são consideradas operações de câmbio as seguintes transações feitas com ativos virtuais:

  • Pagamento ou a transferência internacional usando ativos virtuais;
  • Transferência de ativo virtual para cumprir obrigações decorrente do uso internacional de cartão ou outro meio de pagamento eletrônico;
  • Transferência de ativo virtual para ou a partir de carteira autocustodiada, que não envolva pagamento ou transferência internacional com ativos virtuais, observado que a PSAV deve identificar o proprietário da carteira autocustodiada e manter processos documentados para verificar a origem e o destino dos ativos virtuais;
  • Compra, venda ou troca de ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária.

As resoluções do BC entraram em vigor no dia 2 de fevereiro de 2026.

Print do site do Banco Central, mostrando uma das Resoluções que regulamenta os ativos virtuais no Brasil, como as stablecoins.

Como funcionam os pagamentos internacionais com stablecoins?

Os pagamentos internacionais com stablecoins (como USDT) funcionam a partir de transferência de dólares digitais via tecnologia blockchain, de uma forma direta, rápida e bem mais econômica em comparação com os processos bancários tradicionais.

Utilizando uma stablecoin confiável, a transação internacional ocorre em alguns minutos, funciona no modelo 24/7 e utiliza carteiras digitais e exchanges para converter a moeda local em cripto e vice-versa.

No Brasil, com a regulamentação das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSVAs), é possível fazer essas transferências por meio de bancos e corretoras de câmbio.

Aqui na B2Gether, após um longo período de testes e um profundo acompanhamento regulatório, passamos a oferecer também o serviço de pagamento internacional com stablecoin.

Trabalhamos com empresas parceiras tanto na frente de tecnologia blockchain, quanto no sistema financeiro brasileiro, para garantir o máximo de segurança e previsibilidade aos nossos clientes.

Para saber mais sobre como funciona o pagamento internacional com stablecoins ou fazer uma cotação sem compromisso, clique aqui e fale com a mesa de câmbio da B2Gether.

Pagamento internacional com stablecoins em 5 etapas

Veja, a seguir, as etapas envolvidas nesse processo na prática.

1. Conversão da moeda local

A empresa que deseja enviar recursos ao exterior converte sua moeda local (como o real) em uma stablecoin vinculada ao dólar, como USDT, por meio de uma corretora, banco ou instituição financeira habilitada.

2. Emissão ou compra da stablecoin

Após a conversão, o valor é transformado em stablecoins dentro da plataforma utilizada. Essas moedas digitais passam a representar dólares digitais que podem ser transferidos pela rede blockchain.

3. Transferência pela blockchain

As stablecoins são enviadas diretamente para a carteira digital do destinatário no exterior. Essa transferência ocorre na rede blockchain e geralmente é processada em poucos minutos, funcionando 24 horas por dia e sete dias por semana.

4. Recebimento pelo destinatário

O destinatário recebe os ativos digitais em sua carteira blockchain. A confirmação da transação ocorre na própria rede, garantindo registro público e segurança criptográfica.

5. Conversão para moeda local (opcional)

Se necessário, o destinatário pode converter as stablecoins recebidas em moeda local por meio de uma exchange ou instituição financeira, concluindo o processo de pagamento internacional.

Considerações finais

Chego ao fim deste artigo torcendo para que o conteúdo tenha sido útil e tenha ajudado você a entender mais sobre o universo das stablecoins e a relação delas com os pagamentos internacionais.

Caso queira receber o contato de um especialista da B2Gether para esclarecer alguma dúvida ou fazer uma cotação sem compromisso, você pode preencher o formulário abaixo e aguardar o retorno de um dos nossos especialistas.

Quem é a B2Gether?

B2Gether é uma empresa de câmbio especializada em operações de importação, exportação e pagamentos internacionais. Registrada no Banco Central como correspondente cambial dos principais bancos e corretoras do país, a B2Gether movimenta um volume de mais de R$ 20 bilhões em transações cambiais e é conhecida por descomplicar o câmbio com processos simples e ágeis, bem como por conseguir as menores cotações comerciais do mercado.

Localizada em Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo, a B2Gether atende pequenas, médias e grandes empresas do Brasil inteiro e de outros países, sempre integrando tecnologia, atendimento humano e expertise regulatória para oferecer soluções cambiais sob medida, reduzir taxas bancárias e permitir que você tenha mais tempo para se dedicar à sua empresa.

 

Perguntas Frequentes sobre Stablecoins

O que são stablecoins?

Stablecoins são moedas digitais emitidas em redes blockchain que mantêm seu valor atrelado a um ativo de referência, geralmente uma moeda fiduciária como o dólar ou o euro. Diferentemente das criptomoedas tradicionais, que podem apresentar grande volatilidade, uma stablecoin busca manter paridade estável com o ativo ao qual está vinculada, permitindo seu uso em pagamentos digitais, transferências internacionais e liquidação de operações financeiras.

Para que servem as stablecoins?

As stablecoins são utilizadas principalmente como meio de pagamento digital, reserva temporária de valor dentro do mercado cripto e instrumento para transferências internacionais. Por manterem um valor mais estável, essas moedas digitais também funcionam como uma ponte entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema de blockchain.

Qual é a diferença entre criptomoeda e stablecoin?

A principal diferença está na estabilidade de preço. Criptomoedas como Bitcoin e Ethereum têm valores definidos pela oferta e demanda e podem sofrer oscilações significativas. Já as stablecoins são projetadas para manter um preço estável, normalmente vinculado a moedas fiduciárias, o que permite seu uso em transações financeiras com maior previsibilidade.

Quais são as principais stablecoins do mercado?

Entre as stablecoins mais utilizadas globalmente estão a Tether (USDT) e a USD Coin (USDC), ambas lastreadas em dólar americano e amplamente usadas em negociações de criptomoedas, transferências digitais e liquidação de transações internacionais dentro do ecossistema blockchain.

As stablecoins são seguras?

A segurança de uma stablecoin depende de fatores como transparência das reservas, governança da empresa emissora, auditorias e infraestrutura tecnológica utilizada. Embora muitas stablecoins sejam amplamente utilizadas no mercado global, é importante avaliar o projeto, o modelo de lastro e a credibilidade da emissora antes de utilizá-las em operações financeiras.

Como funcionam pagamentos internacionais com stablecoins?

Pagamentos internacionais com stablecoins acontecem por meio da transferência de moedas digitais em redes blockchain entre carteiras digitais. Nesse processo, o valor pode ser convertido em stablecoin, enviado ao destinatário em poucos minutos e posteriormente convertido em moeda local, permitindo uma liquidação global mais rápida do que alguns métodos tradicionais de transferência internacional.

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Foto de Diego Zia

Diego Zia

Diego Zia é sócio-fundador e CEO da B2Gether, empresa especializada em operações de câmbio e mass payments. Com passagens por bancos de câmbio de renome no Brasil e no mundo, desenvolveu uma sólida carreira no mercado financeiro, com foco em transações cambiais para empresas e pessoas.

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